quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Bicicleta e Sociedade - Um assunto acadêmico

É com muita satisfação que comunico a aprovação de uma disciplina que ministrarei junto com o professor José Alfredo Debortoli e com a participação de Augusto Schmidt, no curso de Educação Física. O que parecia distante se tornou realidade, com muita dedicação e esforço. Para quem acompanha, sei que são poucos, criei o GEBIKE em 2009 e no início, foram só os amigos que apoiaram a iniciativa, comparecendo aos encontros e discutindo esse tema tão instigante. Desde o início participaram pessoas de cursos diversos como Turismo, Engenharia Civil, Ciências Biológicas, Ciências Sociais e claro, Educação Física. Nessa época, parecia dispensável discutir o tema, pois pouca atenção era dada ao uso da bicicleta como meio de transporte na cidade. Em 2010, ano em que me graduei, pretendia que algum dos membros prosseguisse com o grupo, mas não foi possível. Então de 2010 a 2014, o grupo ficou inativo. Com a minha volta para a universidade no curso de mestrado em estudos do lazer e estimulada pelo meu tema de pesquisa " O grupo Massa Crítica em Belo Horizonte: Em busca de relações entre Movimentos Sociais e Lazer", quis retomar o grupo e aprofundar no assunto. Entrei em alguns grupos, comecei a participar de comunidades pela rede social, enfim, procurei me inteirar da luta em prol de reconhecimento e melhorias para o uso da bicicleta como meio de transporte na cidade. Nesse sentido, conheci e me aproximei da associação BH em Ciclo e através dela pude conhecer também outros grupos como o Bike Anjo BH, um grupo de voluntários que ensina as pessoas a pedalar, o GT Pedala, grupo que se reúne para discutir políticas de bicicleta na cidade em diálogo com a prefeitura e a BHtrans, além de outros grupos que fazem essa interlocução através dessa rede de ciclistas. Percebi que o cenário da bicicleta em BH cresceu exponencialmente nos últimos anos e as pessoas estão cada vez mais conscientes de que a bicicleta é uma alternativa ecológica, saudável e propiciadora de experiências lúdicas, nos grandes centros urbanos. 
Com o apoio sempre presente do professor José Alfredo ao GEBIKE, decidimos ofertar uma disciplina intitulada Bicicleta e Sociedade no curso de educação física, dada sua relevância e pertinência ao curso. 
Acredito que esse passo é muito importante não só para os estudantes que terão contato com a disciplina quanto para o fortalecimento de idéias e de uma cultura que anda na contramão da lógica de mercado e consumo, cada vez mais presente em nossas vidas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Bicicletas Compartilhadas para os pequenos


Apareceu por aqui ano passado as bicicletas compartilhadas do Itaú, o Bike BH, do qual já dediquei uma postagem para explicar seu funcionamento. Essa idéia veio de outros lugares do mundo, que já contam com uma frota de bicicletas bem mais densa e com sistema operacional de qualidade. Mas a frança conseguiu ainda surpreender! Criou o sistema de compartilhamento de bicicletas para os pequenos! É isso mesmo. Em Paris, começou a funcionar desde 18 de junho do ano passado, o P'tit Velib, que tem cerca de 300 bicicletas em quatro tamanhos, que atende o público de 2 até 8 anos de idade:

Sem pedais, essa bicicleta é recomendada para crianças de 2 a 4 anos de idade, pois ajuda a aprender a se equilibrar sobre duas rodas.
12 Polegadas Possui rodinhas removíveis - Ideal para crianças de 3 a 5 anos

Também possui rodinhas removíveis, com tamanho de 16 polegadas é indicada para crianças de 5 a 7 anos

20 Polegadas - Indicada para crianças em torno de 8 anos, acompanhadas dos pais (não tem rodinhas removíveis, então é sempre bom ter um adulto por perto, né?)

Todas essas bicicletas já estão espalhadas próximas a parques e praças da cidade.
Como está escrito no site, bons hábitos devem ser aprendidos cedo! E os parisienses já deram mais um passo para um futuro mais ecológico. Seria bom se a idéia pegasse por aqui, não é? Assim as crianças que não podem ter sua própria bicicletinha, não precisam deixar de aprender esses movimentos, que direcionam para a liberdade!
Se quiserem conhecer melhor o projeto e saber onde encontrar essas bicicletas ( caso você esteja de férias em Paris com a família ), aí vai o link http://blog.velib.paris.fr/en/ptit-velib/

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Para aproveitar as férias de verão

Como de praxe, fui à agência Delfior - que fica na rua São Paulo, pertinho do Shopping Cidade - ontem, mas não para trocar pois não tinha levado nenhuma revista, mas para comprar revistas. Para quem não conhece, Delfior é como uma banca de revistas que vende vários tipos de revista de edições antigas por preços bacanas. É possivel também fazer trocas, um bom jeito de economizar dinheiro. Conheço a da rua São Paulo, mas tem outra Delfior na Praça da Estação, mas não gosto muito dessa unidade não, já sou assídua na outra e estou acostumada, além disso a senhora que está sempre lá é muito simpática. Isso não é uma propaganda, mas uma dica para quem curte aproveitar o que a cidade pode oferecer e claro, gosta de ler revistas. Como estava com tempo, folheei bastante revistas e descobri uma edição bacana da Vida Simples. É do mês de setembro, edição 150 especial de mobilidade. Ainda não tive tempo de ler tudo, mas está sensacional! Cheia de matérias interessantes e todas relacionadas a mobilidade. Além dessa, comprei também a Glamour desse mês. Bicicleta está na moda! rsrsr Não gosto de seguir tendências, mas essa definitivamente vale a pena seguir - pra mim não é novidade, mas fica a dica pra quem ainda não garantiu sua bike! Na última capa da revista tem uma estilista - ao que tudo indica ela é mesmo brasileira - a Vanessa Montoro, que se diz louca por bikes. Na página tem vários dos modelos que ela tem e seu depoimento: " O estilo de vida da minha família é totalmente planejado pra irmos de bike pra baixo e pra cima. Levo meu filho à escola, vou pro ateliê, faço compras no mercado...tudo de bicicleta! Tenho várias: umas mais modernas estilo speedy, outras bem retrozinhas. Trouxe a maioria da Itália. Algumas delas servem pra decorar o ateliê. E não tem jeito! Mesmo tendo várias, sempre que vejo uma mais diferentona, levo pra casa. Enquanto houver espaço..." (REVISTA GLAMOUR, 2015, p.146)
E despretenciosamente acabei descobrindo uma revista na internet sobre bicicleta. Chama-se Velô, e foi idealizada por duas mulheres: Lina Colnaghi e Sabrina Silveira. Dá pra acompanhar on line: http://revistavelo.com.br/
Ficam aí as dicas pra aproveitar um boa leitura nessas férias de verão!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Evento - Possibilidades e Desafios da Mobilidade no campus UFMG



No dia 26-11 quarta-feira, realizamos na UFMG uma conversa sobre mobilidade no campus. O encontro foi aberto a toda a comunidade da UFMG e a quem se interessasse pela temática, uma vez que foi divulgado pelas redes sociais. Todavia, coincidentemente, aconteceria no mesmo dia a partida final da copa do Brasil de futebol, e a disputa se daria com os dois times rivais de minas: Cruzeiro e Atlético. Com isso muita gente deixou de ir ao encontro, que contou basicamente com os integrantes atuais do grupo de estudos. Mas não foi pela falta de público que a conversa foi adiada. Com muita disposição e vontade em compartilhar conhecimentos e experiências, o prof. Dimas Alberto Gazolla apresentou-nos o projeto de acessibilidade no campus, com detalhes e espaço para perguntas. A conversa rendeu bastante! (Começamos às 16:30 e finalizamos somente às 19:30, quando o barulho dos fogos de artifício em decorrência da partida final não mais permitiram a fluidez da conversa.) Tenho certeza de que quem participou desse encontro ficou instigado e com uma coceirinha boa: Precisamos promover alguma ação mais direta na Universidade! Com tantas possibilidades e desenvolvimento tecnológico, além de estudantes e professores de excelência, urge uma postura mais eficaz, acessível e confortável em relação ao transporte e aos deslocamentos. Abaixo imagens do evento que ocorreu no auditório da Escola de Educação Física da UFMG.



Professor Dimas Alberto Gazolla


Cartaz interativo, afixado no Restaurante Universitário

O professor e os participantes do GEBIKE

O prof. Dimas e os integrantes do GEBIKE

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Bike na Moda na bike

A tendência Cycle Chic ( ou pedalada com estilo) está vindo pra ficar! Como em vários aspectos, estamos importando mais uma tendência: Cycle Chic. Esse termo está pegando nas redes sociais e internet e parece que chegou com força! O Cycle Chic começou na Dinamrca e se tornou um movimento que busca levar o ciclismo urbano ao que era antigamente: Ferramenta de transporte. Além do apelo fashion, o movimento busca incentivar as pessoas a usarem a bicicleta como uma ferramenta de transporte e não somente como esporte, por isso as roupas para pedalar não ficam restritas  à moda fitness!
O termo “cycle chic” surgiu em Copenhague, em meados de 2006, quando o fotógrafo Mikael Colville-Andersen criou um blog com fotos de ciclistas estilosos da cidade, uma das mais adaptadas ao ciclismo urbano. Desde então, seu blog documenta através de fotos aqueles que conseguem se vestir bem e de forma prática para pedalar.
O blog Copenhagen Cycle Chic ficou conhecido, a ideia se espalhou pela Europa e começa a tomar força ao Brasil. Alguns sites em português são o Curitiba Cycle Chic , Gata de Rodas. ( Informações encontradas no site: http://www.euvoudebike.com/2010/05/cycle-chic-pedalada-com-estilo-e-possivel/ )
Em Belo Horizonte tem o BHCycleChic: https://bhcyclechic.wordpress.com/ 
Confesso que no começo estava meio avessa a esse movimento, pois não entendia direito a sua ideologia e parecia mesmo meio segregacionista (pois nas fotos que via eram pessoas chiques bebendo champanhe!) os passeios que alguns grupos realizavam. Mas compreendendo como um movimento que busca incentivar as pessoas a usarem quaisquer vestimentas para andar de bicicleta na cidade, fiquei mais simpática e vamos considerar que nessa cultura do automóvel que acredita que o ciclista urbano é um fracassado que não pode pagar por um carro, pedalar com trajes "finos" é mesmo um banho de água fria! Sempre pedalei com a roupa que me desse vontade ( exceto saias) - desde shorts jeans, a vestidos (com shorts por baixo), calça jeans além das roupas de malha que já são mais comuns à pratica esportiva. Quanto a calçados também variei bastante: Tênis, Rasteira, Chinelo. Sandália de salto nunca. Pelo mesmo motivo da saia: A cidade e as pessoas que nela vivem não me inspiram essa segurança, seria muito ousado e muito chamativo - o que me tornaria mais ainda alvo de cantadas machistas e comentários desafetuosos.
Bem agora falando de coisas boas: Em decorrência dessa nova tendência, a bicicleta hoje é facilmente encontrada estampando tecidos diversos (cada um mais lindo que o outro), em pingentes de colares, brincos, bolsas, mochilas! Para as apaixonadas e os apaixonados por bike é uma gratidão! Abaixo, selecionei algumas imagens inspiradoras!

Essas são uma parceria da Farm com a Lev. Estou mostrando apenas dois dos 4 modelos feitos:


Todas essas imagens foram tiradas da internet.
Vejam as mulheres lá fora usam até saltos! Que charme!


 E não podia deixar de mostrar uma paixão, né: Poás!

 Homens charmosos!



E agora a bike estampando tecidos e em acessórios: 




 Ah esse eu quero!


Que bolsinha charmosinha, né?

 Muito criativo este anel!




terça-feira, 4 de novembro de 2014

Brasil, meu Brasil Bicicleteiro...

Na última semana, tirei uns dias de férias e fui à Salvador e Ilha de Boipeba. Achei incrível como a quantidade de bicicleteiros e bicicletas é grande por lá! E não vi muitas ciclovias. Claro que em Salvador há ciclovias, inclusive pude ver uma na orla. Mas dentro da cidade mesmo, perto de onde fiquei, não vi não. Não digo que não exista, mas como fiquei somente próximo ao Pelourinho, acredito que por lá não haja. Mas isso não impede que os ciclistas circulem! E é isso que acho de mais valioso, pois pude perceber o quanto a bicicleta é utilizada como meio de transporte mesmo numa cidade grande e sem muitas condições de circulação e respeito. Aliás, deixo claro aqui a minha insatisfação quanto ao modo como os soteropolitanos conduzem: Peguei táxi e ônibus e em ambos senti muito medo, pois os motoristas foram muito "violentos" e não respeitaram nem o limite de velocidade nem muitas regras de circulação. Em contrapartida, minha satisfação ao ver a quantidade de ciclistas nas ruas foi enorme: Tinha crianças, adultos, adultos com crianças, idosos. Todos andando de bici. Tirei algumas fotos, mas nem de longe representa o universo bicicleteiro bahiano! Em Boipeba por sua vez, não circulavam carros, é uma ilha paradisíaca e cheia de ciclistas! Pedi licença para alguns e compartilho aqui as imagens.





Encontro GEBIKE 04-11-2014

O encontro do GEBIKE de hoje contou com a presença de cinco integrantes, sendo um recém-chegado, o Cleytom, do curso de Engenharia Elétrica. Como já devem ter percebido, o GEBIKE é multidisciplinar e busca um diálogo interdisciplinar. Nesse sentido, acreditamos que os diálogos, estudos e pesquisas se fortalecem quando pessoas com diferentes bagagens e visões se aproximam. Antes de prosseguir, apresento os participantes atuais: Augusto Schmidt - Engenharia Ambiental; Danira Morais - Ciências Sociais; Eros Sousa - Ciências Sociais; João Paulo Farkasvolgyi; Marcos Buba - Educação Física; Ludmila Miranda - Educação Física, Irene Benevides - Educação Física e o recém chegado Cleytom Ferreira (recém chegado no grupo mas no assunto da bike já tem uma longa estrada!). O grupo mesmo ainda pequeno já está bastante rico. 
Mas seguindo essa conversa, o encontro de hoje se baseou no texto "Bicicleta e Tempo de Constestação" do sociólogo brasileiro Leo Vinicius Maia Liberato. O autor também assina com o pseudônomo de Ned Ludd um artigo e a organização de um livro disponibilizado em pdf na internet: Apocalispe Motorizado. A discussão à semelhança do artigo foi muito interessante! O autor parece destacar alguns pontos como a questão do tempo, das técnicas e tecnologias, da ecologia social, dos movimentos sociais, do lazer e das festas. Todos esses pontos se entrelaçam para deixar clara a concepção do autor. Não vou me estender sobre o texto mas o indico a quem tiver interesse pois é um texto com uma visão crítica e de leitura valiosa. Muito do que o autor traz remete a outros textos que já tive contato: Morte e Vida de Grandes Cidades, da Jane Jacobs, Provos Amsterdam e o nascimento da contracultura de Matteo Guarnaccia, e claro alguns textos de Apocalipse Motorizado, que fazem uma crítica mais contundente à sociedade do automóvel.  Fica aí então dicas de leitura para ampliarmos essa conversa! Em breve será divulgado o evento que realizaremos no final de novembro e traremos mais informações sobre o mesmo.